quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Senhor e a política...

Dia 08.10.2008: Noite. Abram os olhos, jovens pensantes! Sentai! Escutai-vos ao menos as vozes dos sábios, poucos e únicos existentes senhores desta terra. Senhores feudais que cultivavam suas terras, seus pensamentos e sua história ao longo do tempo e que, agora, estão diante de ti! Dignificai-vos com a beleza da velhice, da experiência e da plenitude serena dos idosos, e prestem atenção aos seus pensamentos, pois estes os pensamentos colhidos, são os frutos do passado!

“- Quem és tu, detentor de tanta sabedoria? Que tu pensa que és?” indagou um pequeno jovem ao senhor, sentado na praça lendo o seu diário, como um dia ordinário. “- Eu, meu filho... eu sou o acaso. Eu sou o nada que para você pode ser muito. Eu, jovem, sou aquilo que tu não és, mas deseja ser. Sou seu pensamento. Sou seu futuro. Sou seu agora!” respondeu o Senhor.

Indignado com a resposta, o pequeno ambulante, replicou: “- Imagine quanta audácia estes seus dizeres, estas suas palavras! Títulos e mais títulos possuo! Cargo e função respeitada! Estudei e estudo nas melhores e mais dignas escolas de aprendizado! Sou culto! Leio, fuço! Cutuco e acho! Tento! Não fico parado no tempo à procura de memórias e pensamentos enterrados ao mero ao desdém, ao acaso! Sou o instinto, sou o pensamento voador! Sou a globalização, sugando os fracos e os desmerecidos. Sou a curiosidade que abre os olhos dos vincendos! Eu sou! Levante e faça algo de útil! Somos o que somos hoje pelo que tu foi ontem! Pelas decisões tomadas em seu passado! Não reconhece nem ao menos, isto?”

E escutando àquelas esdrúxulas palavras que simplesmente eram “guspidas” pela boca e língua úmidas daquele jovem insensato e hipócrita, o velho Senhor pois a pensar no que tinha vivido, no que era e no que é o mundo hoje. Viveu e sentiu que aqui no Brasil existiram vários fatores históricos e coloniais, encravados no berço de nossa civilização, que é diretamente influenciado na cultura brasileira atual. Percebeu que o povo brasileiro é hoje justamente pela não mudança daqueles velhos fatores. Percebeu a ociosidade, as atitudes não voltadas para a revolução, nem para a anarquia, mas sim ao comodismo, a mesmice e ao conformismo próprio e absoluto. Percebeu ainda que não havia mais coligações e interesses mútuos, antes preservados como fatores essenciais para o crescimento cultural da nação. Percebeu que aqueles partidos políticos, que governadores, presidentes, prefeitos, governadores, senadores, todos eleitos pelo próprio povo e antes diretamente impugnados por eles, não existia mais. Eram somente fantoches, marionetes e bonecos que elegemos tão somente para cumprir um cargo, uma função e uma promessa de um sonho dito de boca para fora.

Percebeu que a indignação daquele jovem, daquelas histórias e das palavras que acabou de escutar, fossem a concretização daquela velha situação arcaica, enraizada naqueles tempos de União de Estudantes Brasileiros (UNE) das caminhadas, das passeatas, dos cartazes, da reivindicação e da mudança, voltado novamente tudo para um único interesse: o bem geral da nação. Postado em sua frente, como uma múmia apena com os olhos arregalados e esperando uma resposta, o jovem ainda não percebeu que eu, senhor de idade, já tinha vivido muito e sofrido muito por sonhos e promessas não realizadas. Esqueceu que aqueles conhecimentos, aqueles títulos, aquelas virtudes que ele mereceu por obrigação e capacidade própria, eu tinha vivido, em carne e osso! Ele esqueceu que naquela época, tínhamos força, uma força de reação pura, de criação e criatividade, e não somente palavras! Tínhamos, meu colega e eu, ações! Tínhamos o fazer! E fizemos acontecer... e realizamos mudanças... e melhoramos! De certo que não o suficiente, pois este suficiente exigido nunca existiu e nunca existirá! A política é um romance, disfarçado de sonhos, ideais, amor, corrupção e interesses.

Aquele jovem não sabia disso... ainda não percebeu o que era política... ainda não sabia do que era capaz... ninguém tinha aberto seus olhos ao menos para dizer o quão forte és para dizer bobagens assim àquele senhor.

Mas este mesmo senhor, sentado, com um ar sereno, respirando calmamente e apertando com o dedo indicador e polegar de cada mão o seu pequeno jornal aberto, fitou-o e explicou: “- Sou o que sou hoje porque vivi. O que vê, filho, não é o que sente, nem ao menos o que pensa que sou. Sinto uma forte ingratidão, um forte desanimo em meu coração hoje por saber como nossa cultura caminhou nestas últimas décadas: desgraças, sujeiras, falsidades, desmistificações de incrédulos, e perpétua mágoa no depósito de confiança nas pessoas que não conheço. Agora eu digo, ainda, meu filho: O que diabos quer de mim? Que saia correndo, gritando e matando os pensamentos das pessoas que ainda estão cegas como você para acordarem ao mundo atual? Que berre em seus ouvidos tapados a verdade falsa estampada nos cargos políticos? Isso é nato! É fato! Todos sabem! Eu sei, você sabe, aquele barbeiro sabe, aquele pipoqueiro sabe! Mas veja meu filho... olhe ao seu redor... o que cada um tem feito para mudar isto? O que cada um tem feito para mudar a real situação do desanimo? Vou te contar, bem baixinho em seu ouvido, mas preste atenção, pois falo somente uma vez: todos estão quietos; todos assistem suas televisões mudas todos os dias e assistem com seus olhos cegos as mesmas bobagens; todos são tão auto-inteligentes, auto-sustentáveis que se conformam em pagar altas taxas, altos juros, altos desempregos e baixa qualidade de vida em todos os sentidos, e pergunto, meu filho: porque? Por causa do comodismo, do único sentimento que cada um carrega dentro de seu mísero coração não é capaz de mudar, que não é capaz de fazer acontecer, que não tem forças, que não pode...”

Fechou seu jornal, dobrou ao meio, colocou em seu colo e finalizou: “- O mundo esta repleto de pessimismo e não mais de otimismo. Pessoas acordam revoltadas, estressadas, indignadas pelas notícias horríveis estampadas nos noticiários tratadas de modo casual, simples e direto. Pessoas não sabem suas origens bem como não sabem como podem mudar e o que precisa ser mudado. Pessoas precisam colocar em mente que, mudando a si, mudam-se os outros. Não é com esta atitude que mudará nossa nação, meu filho. Você é apenas uma ponta de um pequeno fio de tribulações.”

Arrumou seu jaleco, enrolou seu jornal, levantou olhou para aquele ser que estava sentado ao seu lado. O pequeno jovem, estagnado e cabisbaixo com seus pequenos olhos encharcados, encolhidos, disse: “- Me desculpe”. E o Senhor disse: “- Desculpe a si mesmo. Levante, corra e mude o que não mudamos. Meu desanimo é justamente esse: ver que o que fizemos não foi suficiente para mudar esta sua geração. É saber que não liga nem um pouco para isso. É saber que existem si, exceções, mas que são tão poucas que ficam marginalizadas pelo conhecimento, e tratadas como descaso pelos amigos e faixas de mesma idade. Faça diferente meu filho! Seja diferente e mostre o que é capaz. Deste jeito, apenas assim, abrirá meus pequenos olhos e me fará ver o não visto: mudanças...”

Dica: veja a galeria de imagens, no topo da página do lado direito, título "Flickr - Minha galeria de fotos", clicando nos respectivos links de seu gosto.

Um comentário:

franciscoberaldo disse...

udaoo.. bonitoo isso cra...
continue assim ta show o blog...
vou te flar que sao raras as pessoas.. com o dom da amizade.... mais nao a amizade que cobra, que sufoca.. que nos trai.. vc possui algo.. especial.. e eu venho aki deixa bem claro.. que sou grato a deus pelos amigos que ele coloca na minha vida... e dentre todos , vc e um cra que tenho orgulhoo.. um irmao pra mim.. um grande abrax cra. e continue assim.. vc vai longe, fk com deus