quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Caminhando pelos trilhos...

No feriado do dia 02 de novembro de 2009, Marcelo, eu e Geisa realizamos uma caminhada digna de ser chamada de ‘diferente’. Todo mundo acredita que o conceito de caminhada é apenas o usual: de caminhar sobre trilhas, sobre o asfalto, sobre avenidas específicas de nossa cidade ou ainda nas esteiras de academias que nos levam sempre para o mesmo lugar.

É fato que as cidades interioranas e centrais de nosso país foram cravadas pela história das ferrovias, que levavam as mercadorias e extraídos das cidades para portos, rumo à exportação. Hoje elas estão esquecidas no tempo e dificilmente são utilizadas como meio efetivo de transporte de passageiros. Lembro como se fosse ontem quando meu querido pai e mãe me levaram naquela estação de Águas da Prata, onde ainda existia um trenzinho bem pequeno, mas charmoso, que partia da “cidade das águas”, cruzava a serra da Mantiqueira beirando a pista, rumo a Poços de Caldas já no Estado de Minas Gerais.

Bons tempos.... ah... se foram! E hoje ela ainda continua lá, de pé, firme, porém esquecida: traços do envelhecimento dos tijolos, das pichações, do vandalismo, da displicência tornaram a estação de Águas da Prata e da Cascata como pontos turísticos sim, mas que poderiam servir como braços para o turismo da região que tanto é apreciada pelos aventureiros das cidades vizinhas.

E foi este o caminho escolhido por nós naquela segunda feira: saímos de Águas da Prata onde deixamos nosso carro estacionado e começamos a subir, as 06 horas da matina, a trilha do trem para a estação da Cascata. Para se der uma idéia de quantos dormentes nós pulamos, andamos e encravamos os pés, a estrada normal asfaltada que liga a cidade da Prata até a Cascata possui 13 quilômetros sendo 6 deles até a ponte pós-pedágio com subidas leves, descidas e retas e mais 7 só de subida até a divisa do Estado de São Paulo a Minas Gerais. Já pelo caminho do trem os 13 se tornam 25. Quase o dobro. E tudo por conta dos contornos, das idas e vindas de cada detalhe de cada montanha percorrida. Não existe percurso reto e íngreme. Tudo é suave: as curvas, as retas e as subidas. Mas para tudo existe um prêmio...

A vista para quem vai pela estrada é maravilhosa. Diga-se de passagem: estupenda. Do lado direito, em todos os momentos, é possível ver a cadeia montanhosa, o recorte que a linha do trem faz paralelo a rodovia e os picos mais altos conhecido como Pico da Bandeira e a Serra de Campos (estradinha que liga o bairro da Fonte Platina até a cidade da Cascata, via terra, para os amantes de moutain bike).

Mas pela linha do trem a vista que se têm é totalmente diferente, distinta pelos olhos humanos. Digo isso porque mesmo apreciando a beleza pela estrada, a vista é única, perceptível somente para aqueles que caminham: é possível ver os detalhes de cada vegetação pelas alturas, escutar o maravilhoso barulho das cachoeiras (que são muitas), visitar um antigo túnel, passear por corredores de arbustos, por pontes, sombra e muito sol. As barragens de cimento e as cachoeiras que se cruzam fazem de nós participantes totalmente ativos com a natureza. É uma mistura de civilização, de antiguidade, de charme, natureza e paz.

São palavras que deixo aqui para você, caro leitor, que permite ter somente uma idéia, bem rasa, fina e superficial do que nós passamos e sentimos naquele imenso caminho. Deixo para você o gostinho de “quero mais” que ficou encravada em nossa alma pela eternidade, transfigurada pelas fotos que tiramos. Por elas você verá os caminhos, os sofrimentos e as recompensas que tivemos. Por elas você verá que tudo o que fazemos, por mais simples que seja, é digno de valer sempre a pena. É pelas fotos que deixamos gravados um pouquinho de nosso sentimento, um pouquinho de nossa emoção. E queremos que você sinta isso, inevitavelmente, em sua vida! E queremos isso agora! O momento é o hoje!

E mesmo sabendo daquelas esquecidas estações abandonadas, nós, caminhantes pacientes, sentimos que elas sempre existirão por um motivo: para trazer passageiros anônimos, nômades e naturalistas, que preservam e valorizam o verdadeiro presente da natureza, dignos do conhecimento e da apreciação mais simples, da beleza natural que Deus nos deu.

As fotos e curta metragem...
01. Veja todas as fotos e descrições no servidor do flickr, em alta resolução clicando AQUI ou em qualquer foto acima deste post.
02. Outra opção é clicar no play abaixo e conferir o slideshow, porém sem as descrições e em resolução reduzida.
Em breve o vídeo completo da trilha. Aguarde.



See more at Vimeo and Flickr. Do it!

Um comentário:

Elisabeth disse...

Ei Udo
A tia andou muito por aí...que bom que vc. gosta e mostra a todos, as maravilhas da santa terrinha!
Bjs.
Beth (Abelhinha Gulosa)