quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Doze passos...

Dia 17.12.2008.
Mensagem de Natal.

Andei conversando com o Papai Noel esses dias. Neste mês de dezembro é muito mais fácil de encontrá-lo. Andei procurando-o durante cansados e longos onze meses, em uma caminhada para a busca da paz, da sabedoria e da eternidade. Não posso negar que os onze passos foram fáceis de serem pisados, de serem ditados e guiados proporcionando-me uma trilha calma, feliz e compensadora. Também não posso dizer a você, caro leitor, que estes onze passos que firmei foram os certos ou errados para aquele ou este caminho. Sei, e é só, que eles foram dados, foram pisados, e hoje estou aqui, no meu décimo segundo passo, com os pés juntos. Foi neste momento que, em minha frente ele apareceu, o Papai Noel.

E vou te contar uma história do Papai Noel que muitos não acreditam e jogam para fora a credibilidade em uma fantasia real. Vou te contar que estive neste ano na busca pelo chamado distante e duradouro, como um eco que se propaga em alguns meses que hoje retornou com uma resposta, quando ele me olhou com aqueles olhos serenos, calmos, pacientes e tentadores sobre o que dizer, o que fazer, o que pensar e como realizar. Por ora não abri a boca para expelir uma única palavra. Santa Claus, como também é conhecido, simplesmente disse para mim absolutamente tudo pelo seu olhar. Absolutamente tudo. Foi uma sensação de satisfação e de reverência. Eu não precisei realizar uma mísera pergunta. Não o indaguei. Nem ao menos tentei esticar o tentáculo de meus braços para senti-lo, acariciá-lo e abraçá-lo. A resposta estava lá. Era claro! Era óbvio demais! A única certeza é que o queria sempre perto de mim, e esta é uma certeza inconfundível e inabalável.

E aquele olhar penetrante e translúcido entrou de uma forma tão forte em minha alma que vários pensamentos vieram a tona naquele momento. Não pude negar que todas aquelas forças que estavam me rodeando me deixaram com certo medo, uma negação e uma reprovação sobre o desconhecido. Sentia que ele sabia as respostas de minhas perguntas e sabia que naquele olhar ele a carregava. Mas eu queria mais. Aquele misterioso e simples olhar responderia tão somente a uma única pergunta que me levara em consideração a todas outras que ele me demonstrara. Finalmente ele abriu seus lábios enrugados, e sussurrou como penas ao vento, as seguintes palavras em meus ouvidos:

“ - Os “comos”, os “porquês”, as “palavras a serem ditas”, o “pensar”, o “realizar” que você tanto procura, meu filho, sempre esteve em você. Esse sentimento de busca e de realização próprio o ser humano o têm por natureza. O seu grande presente de Natal, a sua grande recompensa e a sua vitória está em seu merecimento. Está nas sementes que germinaram e nasceram ao longo dos seus onze passos e que hoje refletem tão somente a sua alma. Não se trata de uma miscigenação ou mesmo de uma mistura de muitos pensamentos aleatórios que tivestes durante décadas, meses ou vidas. O que importa para o seu grande prêmio, para o seu gran finale é o merecimento próprio. São as suas conquistas e a valoração delas em torno de sua vida, que o faz feliz, que o faz completo e que te traz para à vida. Tu és o reflexo de suas escolhas, e nada mais.”

Encerrou por um momento e aquilo tudo, dito de uma forma tão simples mas ao mesmo tempo profunda, deixou-me em um estado de êxtase tão profundo que não pude deixar de negar-lhe em alguns aspectos. Minha curiosidade aguçou um pensamento:

- Desculpe-me, meu Senhor. Desculpe por tão pouca sabedoria adquirida por tão pouco tempo. Juro que as vezes pensamos que sabemos algo que nos complementa e nos deixa felizes sim, felicidade esta momentânea ou duradoura, mas quando esse fator nos é indagado surge a causa mais simples de todas: a intriga. E não é diferente! Como posso deixar de esquecer que tudo o que passei em minha vida, que todas as escolhas renunciadas e escolhidas, dedo a dedo, não podem ser consideradas como fator de merecimento próprio? Creio, meu bom Senhor, que as amizades que nos rodeiam, que a família e mesmo a sociedade com as almas puras e boas que nos rodeiam diariamente sempre têm um grande fator influenciador em nosso amadurecimento pessoal e, via de conseqüência, no merecimento de minha conquista do décimo segundo passo! Sem eles, juro que não seria o que sou hoje!

E por um breve momento, quando o vento e o cheiro da chuva que passava naquele fim de tarde que escurecia e trazia a mãe Lua Cheia aos céus, o espírito natalino se reafirmou, breve e pausadamente:

“- Não digas o que não pensei, muito menos não desmereça os fatores que estão ao seu redor! Ingrato é o ser humano que não percebe que sempre está com alguém, que pensa que sempre está só! O fato do ser humano ter a digna e discreta capacidade de pensar não o exime de pedir ajuda sempre. Eu disse SEMPRE! Ele ainda não é dotado da capacidade de auto-sustentação. E ainda bem que não o é! A razão disso está justamente no cooperativismo e na vontade mútua de se ajudar, que nasceu nos primórdios de sua existência. Naquela época, uns ajudavam os outros por puro e simples instinto de sobrevivência. Os fins eram diferentes de hoje, meu jovem. Naquele tempo se lutava para comida, para moradia e para a reprodução. Hoje os tempos mudaram... vemos grandes revoluções de pensamentos, revoluções iluministas que trouxeram no nosso dia-a-dia indagações nunca experimentadas, e, dentre elas, às respostas de nossas belas perguntas, que nos martelam em nossos corações. E muitos se perdem meu filho... e muitos passam eternidades e vidas procurando respostas que ainda não são entendidas por nós....”

Ele parou. Respirou. Atentamente olhou para cima, olhou aquela luz branca e incandescente que descia sobre os céus em sua face e continuou:

“- E o homem acabou esquecendo a sua essência, a sua natureza e a sua virtude principal que é a capacidade do cooperativismo. E para que isto seja realizado, necessárias muitas outras virtudes: a virtude da paciência; a virtude da compaixão; a virtude do escutar e do aconselhar em momentos oportunos; a virtude do respeito; a virtude de distinção do certo, errado e da moderação; a virtude de amar e se apaixonar, incondicionalmente; e por fim a virtude da intuição e do perdão. Mas não pense que todos as possuem! Alguns a mais e outros, a menos. Mas todos os seres as possuem. O que difere um dos outros é o saber usar para o bem. O desvio de finalidade das virtudes essenciais chega a atrofiar nos corações dos seres que o usam para o bem próprio, mesmo sabendo que estas são as chaves para as conquistas de todos os objetivos e para a libertação própria.”

E finalizou:

“- O décimo segundo passo é justamente isso: é a valoração dos seus atos na forma de libertação própria. É o sentir dentro de si que valeu a pena, que seus atos foram dignos e merecedores do bem comum. Ora, não existe satisfação melhor do que o fechar dos olhos e gritar para si que a missão foi cumprida! Mas cumprida com gosto, de palavras cheias de amor e de vontade sublime, digna de um vencedor! O merecimento e seu grande presente é a conquista destas almas boas, límpidas e que sempre o ajudam para o caminhar dos novos onze passos que vêm a seguir. Lembre-se que eles, as pessoas de bem, sempre o guiarão para o caminho da paz. O que distingue de seu prêmio são suas escolhas. Portanto, faça por merecer sempre! Faça acontecer sempre, como fez neste ano! Faça diferença, pois está aqui justamente para isso: para trazer aos outros a felicidade e o entendimento! Não seria justo regozijar tão somente pelos seus frutos colhidos! Não! Compartilhe a felicidade alheia! Seja compatriota ao ponto da humildade encher o seu coração de compaixão ao próximo! Agradeça-o! Abrace o seu parceiro e diga que a felicidade dele é a sua felicidade! Você não sabe o quanto isto significa quando dita de coração... você não sabe o verdadeiro amor do amor tão somente desfrutando-o, mas sim, quando fornece os meios para que ele seja concretizado por aqueles que merecem!”

E caminhando nos céus, em busca de uma moradia nas estrelas, Papai Noel se foi, gritando bem alto para todos ouvirem:

“- Caminhe! Caminhe para os dozes passos!
- Caminhem sempre para o bem!
- Caminhe! Caminhe para os doze passos!
- Pois a felicidade serena sempre o convém!”

6 comentários:

TOMÉ disse...

NESSE MOMENTO...AS PALAVRAS ME FALTAM...POIS FIQUEI BOQUIABERTO COM ESSE TEXTO..CADA VEZ MAIS CAPRICHADO SEU BLOG HEIN UDO?? PARABENS :) ABRACAO

Pri Ruy disse...

Amigo mais lindo do mundo...
Não sei o que dizer....
Você sabe o quanto sou sua fã, você sabe o que o que você escreve sempre me toca de alguma maneira, em alguma linha ou entrelinha...
Desta vez você passou dos limites! rsrsr...
Maravilhoso! Surpreendente! Fantástico....
Dê sempre os seus doze passos da maneira que você fez em 2008! Pode ter certeza de que nunca irá errar!
Feliz Natal! Boas Festas!
Beijos!

Giselle disse...

Udo querido!!!
Amei seu texto!!!...pode ter certeza que suas palavras tocaram profundamente em mim e em todos que ja leram.
A idéia é...caminhe para os doze passos!...simplesmente lindo e verdadeiro!
Parabéns!!!...sou fã...sempre!
Beijo grande no coração!

Fernanda Goulardins disse...

Hoje, é muito difícil encontrarmos pelo mundo pessoas com tanta sensibilidade e amor pela vida. É difícil encontrarmos amigos especiais que nos falam coisas realmente importante e reais. Mais difícil ainda é termos próximos de nós pessoas que se preocupem de verdade com nossos sentimentos e emoções... mas graças a Deus você existe e tenho certeza que você é pra mim tudo o que acabo de dizer que é difícil de se encontrar pelo mundo.
Parabéns...mais uma vez...rsrsrs
Um ótimo Natal e um perfeito Ano novo. Afinal sempre estivemos juntos nessas datas, e sempre pudemos nos abraçar nesses momentos especiais.
Beijão no seu coração

*Geisa* disse...

Parabéns Udo !
Simplesmente Maravilhoso!!
Um excelente Natal e um novo ano com muita paz, amor, saúde, alegrias,sucesso e realizações !
Tuuudo de bom ! Você é mara!! =D
Beijo grande

Celsao disse...

Meu irmao nem tem o q falar desse desabafo do fundo do seu coraçao.
Só queria mesmo te agradecer por sempre estar por perto e nos ajudar nos 12 passos .

Bjo pra vc e toda familia ou seja a nossa familia que na verdade e a mesma ou seja a familia de Deus .